Os feitos e milagres que podem levar padre italiano a se tornar o 1º santo de Mato Grosso do Sul

O padre italiano que adotou o interior como lar e pode se tornar o primeiro santo de MS A convivência com São João Bosco, o trabalho com crianças e jovens e...

Os feitos e milagres que podem levar padre italiano a se tornar o 1º santo de Mato Grosso do Sul
Os feitos e milagres que podem levar padre italiano a se tornar o 1º santo de Mato Grosso do Sul (Foto: Reprodução)

O padre italiano que adotou o interior como lar e pode se tornar o primeiro santo de MS A convivência com São João Bosco, o trabalho com crianças e jovens e a devoção mantida por fiéis décadas após sua morte estão entre os aspectos que podem levar padre João Crippa a se tornar o primeiro beato e, futuramente, o primeiro santo de Mato Grosso do Sul. A Igreja Católica iniciou o processo para investigar a vida, as virtudes e a fama de santidade do sacerdote salesiano, que atuou em diferentes cidades do estado e morreu em Três Lagoas, em 1941. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp A abertura da causa permite que ele seja reconhecido como Servo de Deus, título dado a quem tem o processo de beatificação iniciado. A investigação deve reunir documentos e depoimentos sobre sua trajetória e os relatos de fiéis que atribuem graças à sua intercessão. O início do processo, porém, não significa que ele já tenha sido declarado santo. O que pode levar padre João Crippa à santidade? 1. A convivência com São João Bosco Nascido em 10 de outubro de 1861, na cidade de Asso, na região da Lombardia, na Itália, João Crippa ingressou na formação salesiana em 1885. Durante esse período, teve contato com São João Bosco, fundador da Congregação Salesiana, cuja missão era voltada à educação e à evangelização, especialmente de crianças e jovens. Crippa foi ordenado sacerdote em 17 de fevereiro de 1894. Depois de atuar no Uruguai e em instituições salesianas no estado de São Paulo, chegou à região de Mato Grosso em 1912 para desenvolver atividades missionárias e pastorais. Padre italiano João Crippa, que tem os restos mortais sepultados em uma capela no interior da Igreja São José Reprodução Missão Salesiano 2. O trabalho com indígenas e a educação de crianças e jovens Na região, o sacerdote participou de iniciativas junto aos povos indígenas Bororo, em Cuiabá. Mais tarde, atuou em municípios do sul do então estado de Mato Grosso, como Aquidauana, Miranda, Campo Grande e Três Lagoas. Em Campo Grande, uma de suas principais iniciativas foi a criação do Oratório São José, conhecido como “Capelinha”. Em 1925, Crippa adquiriu os dois primeiros lotes para a construção do espaço, destinado a acolher crianças e jovens com atividades de catequese, oração, convivência e recreação. A iniciativa seguia o modelo dos oratórios festivos de Dom Bosco, que reuniam educação, formação religiosa e atividades comunitárias. 3. A assistência a pessoas presas e à população A trajetória do sacerdote também é associada à assistência espiritual e material a pessoas em situação de vulnerabilidade. Registros históricos mencionam seu trabalho com detentos em penitenciárias, além da ajuda prestada à população e à Santa Casa. Essas ações fazem parte dos elementos que podem ser considerados na investigação sobre sua vida e suas virtudes. Durante o processo, a Igreja deverá reunir documentos e testemunhos para avaliar sua atuação religiosa e social. 4. A construção da Igreja São José Com o crescimento da comunidade em Campo Grande, Crippa idealizou a construção de uma igreja maior, dedicada a São José. A pedra fundamental foi lançada em 15 de maio de 1938, e as obras começaram no ano seguinte. O sacerdote morreu em Três Lagoas, em 1º de agosto de 1941, antes de ver o templo concluído. A igreja foi inaugurada em 1949 e deu origem à atual Paróquia São José, onde os restos mortais dele estão sepultados. O local se tornou um ponto de referência para fiéis que mantêm viva a memória do sacerdote. 5. A devoção dos fiéis e os relatos de graças Décadas após a morte de Crippa, fiéis continuam a procurar o local onde ele está sepultado e a relatar graças que atribuem à sua intercessão. Esses testemunhos fazem parte da chamada fama de santidade, um dos aspectos observados pela Igreja durante uma causa de beatificação. Os relatos, no entanto, não são considerados automaticamente milagres reconhecidos. Eles precisam ser documentados e avaliados pelas autoridades religiosas, de acordo com as regras da Igreja Católica. Autoridades religiosas que participaram da sessão solene de abertura do inquérito. Diogo Nolasco. LEIA TAMBÉM: Fiéis lotam igreja para abertura de processo de beatificação do primeiro santo de estado brasileiro Quem foi o padre italiano que tem restos mortais sepultados em igreja e pode se tornar santo Como começou o processo de beatificação? A possibilidade de abrir a causa ganhou destaque em 8 de março de 2024, durante a visita a Campo Grande do então reitor-mor dos Salesianos, cardeal Ángel Fernández Artime. Na ocasião, ele visitou a Igreja São José e conversou com o pároco, padre Paulo Roberto de Oliveira, sobre a proposta. A partir desse diálogo, a Arquidiocese de Campo Grande e a Missão Salesiana avançaram nas articulações para investigar a trajetória do sacerdote. O inquérito diocesano é a etapa em que são reunidos documentos e depoimentos sobre a vida, as virtudes e a fama de santidade do religioso. O material pode ser encaminhado posteriormente ao Vaticano para análise. O que falta para ele se tornar beato e santo? Busto do padre em paróquia de Campo Grande. Divulgação. A Igreja Católica segue etapas específicas para reconhecer oficialmente uma pessoa como santa. Cada fase depende da análise das virtudes e, conforme o caso, do reconhecimento de milagres. Servo de Deus: título recebido com a abertura oficial da causa de beatificação. Venerável: reconhecimento de que a pessoa viveu as virtudes cristãs de forma heroica, após a avaliação da Igreja. Beato: normalmente, é necessário o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão do candidato, com exceções previstas nas normas da Igreja. Santo: em geral, é necessário o reconhecimento de um segundo milagre após a beatificação para que ocorra a canonização. Se a investigação confirmar os requisitos e as etapas seguintes forem concluídas, João Crippa poderá se tornar o primeiro beato de Mato Grosso do Sul e, posteriormente, o primeiro santo do estado. A causa busca reconhecer a trajetória de um sacerdote que dedicou a vida à missão salesiana, à educação e ao atendimento de comunidades. Entre as recomendações atribuídas a ele ao fim da vida está a frase: “Insista, insista a fim de manter o espírito de Dom Bosco!”. Padre João Crippa. Divulgação. Estagiária sob supervisão de Adriano Fernandes* Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

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