PMs suspeitos de envolvimento na morte de mototaxista em emboscada são denunciados pelo MP

Mototaxista Jefferson Lima Borges, de 25 anos, durante abordagem da PM Reprodução Os policiais militares Devany Gomes dos Santos e Cláudio Roberto Nunes Gome...

PMs suspeitos de envolvimento na morte de mototaxista em emboscada são denunciados pelo MP
PMs suspeitos de envolvimento na morte de mototaxista em emboscada são denunciados pelo MP (Foto: Reprodução)

Mototaxista Jefferson Lima Borges, de 25 anos, durante abordagem da PM Reprodução Os policiais militares Devany Gomes dos Santos e Cláudio Roberto Nunes Gomes foram denunciados pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO) por suspeita de envolvimento na execução a tiros do mototaxista Jefferson Lima Borges, de 25 anos, na rodovia TO-181, em 2025. A denúncia foi apresentada por cinco promotores de Justiça e aponta que o crime teria sido planejado, motivado pelo fato de a vítima ter denunciado abusos policiais meses antes. O crime ocorreu em setembro. Em novembro do mesmo ano, quatro policiais foram afastados das funções. Já em fevereiro deste ano , Devany Gomes dos Santos e Cláudio Roberto Nunes Gomes tiveram a prisão temporária, de 30 dias, decretada. Posteriormente, a medida foi convertida em prisão preventiva. A defesa de Devany Gomes e Cláudio Roberto informou que ainda não foi notificada sobre a denúncia. Em nota, afirmou que a acusação será analisada e que, após ter acesso ao processo, “será possível demonstrar a verdade dos fatos” (confira a nota na íntegra ao final da reportagem). A Polícia Militar informou que acompanha o desdobramento da denúncia e que os militares permanecem custodiados na sede do 4º Batalhão da PM, em Gurupi, onde seguem à disposição da Justiça. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Na denúncia, o Ministério Público pede que os policiais militares sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp O mototaxista teria sido morto dois meses após denunciar um suposto abuso de poder de policiais militares ao MP - Entenda o caso abaixo. LEIA TAMBÉM Homem é condenado após criar perfil falso e enviar ameaças ao atual namorado da ex Acidente entre carreta e caminhonete deixa dois mortos na BR-226 no TO Operações investigam supostas fraudes milionárias em contratos públicos Entenda o caso De acordo com a denúncia, os policiais monitoraram Jefferson durante uma festa em Sandolândia. Quando o mototaxista saiu do evento, foi seguido e cercado em um trecho isolado da rodovia TO-181. Ele foi atingido por três dos oito disparos efetuados. Os promotores de Justiça destacam que o caso é marcado por três agravantes principais. O primeiro seria a motivação por vingança, como forma de retaliação pelo fato de Jefferson ter denunciado abusos e ameaças cometidos por policiais em Araguaçu. Além disso, chama atenção o uso de uma arma do próprio Estado na execução do crime. Por fim, o Ministério Público aponta que houve fraude processual, já que, após o assassinato, os policiais teriam simulado a perda da arma, formatado seus celulares e pesquisado na internet formas de evitar o rastreamento dos aparelhos. Devolução do celular Após a denúncia do mototaxista, a promotoria de Justiça buscou documentos que pudessem justificar a apreensão do celular, mas não foi encontrado qualquer registro. A Polícia Militar de Araguaçu foi chamada pelo MPTO e fez a devolução do aparelho, afirmando que não havia termo de apreensão ou documento relacionado ao fato. Investigação Em novembro, a Polícia Civil cumpriu sete mandados de busca e apreensão em três quartéis da Polícia Militar e contra quatro policiais militares. Os PMs são investigados por suspeita de envolvimento na morte de Jefferson. Conforme apurado pela TV Anhanguera, as investigações apontam que um dos soldados teria omitido informações quanto à pessoa que encontrou o corpo ao registrar o caso. Ele ainda teria afirmado que não havia ninguém no local onde Jefferson foi localizado. A Polícia Civil identificou que a testemunha ocultada no registro teria visto a chegada de um tenente e de um soldado em uma caminhonete prata. Segundo as investigações, essa informação também foi ocultada no registro do policial militar. Conforme apurado pela investigação, no dia em que o corpo de Jefferson foi encontrado, a testemunha relatou ter visto uma caminhonete, com características idênticas às do veículo dos policiais, trafegando em sentido contrário, instantes antes de encontrar o corpo na rodovia. Trecho da TO-181, próximo de Sandolândia Google Street View/Reprodução Nota da defesa de Devany Gomes e Cláudio Roberto na íntegra A defesa técnica dos investigados informa que, até o presente momento, não foi formalmente notificada acerca do teor da denúncia supostamente apresentada. Dessa forma, por responsabilidade profissional e em respeito ao devido processo legal, não é possível tecer considerações específicas sobre os fatos ou sobre a imputação que, em tese, lhes é atribuída. Ressalta-se que toda acusação deve ser analisada sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, garantias fundamentais asseguradas pela Constituição da República. A defesa confia que, após o acesso integral aos autos, será possível demonstrar a verdade dos fatos. Por fim, esclarece que os investigados permanecem à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos necessários. Nota da PM A Polícia Militar do Tocantins (PMTO) informa que acompanha o desdobramento da denúncia oferecida pelo Ministério Público em desfavor de dois policiais militares, referente aos fatos ocorridos em setembro de 2025, na rodovia TO-181. A Instituição esclarece que, por determinação do Poder Judiciário, a prisão temporária dos envolvidos foi convertida em prisão preventiva. Os militares permanecem custodiados na sede do 4º Batalhão da PM, em Gurupi, onde seguem à disposição da Justiça. A PMTO esclarece que a investigação criminal está sendo conduzida pelas autoridades competentes. A Instituição aguarda o regular andamento dos trâmites legais, nas esferas cível e criminal, e, conforme os desdobramentos e eventuais elementos formalmente encaminhados, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis. A Polícia Militar reforça seu compromisso com a legalidade, transparência e o respeito às decisões do Poder Judiciário, reiterando que não compactua com quaisquer desvios de conduta por parte de seus integrantes. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Fale Conosco